Geralmente uma Crise de Imagem tem um forte componente de surpresa. Ela não é esperada e quando surge, pega empresas e profissionais desprevenidos.

Se a afirmação acima já era verdadeira quando vivíamos em um mundo sem as redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, hoje ela é ainda mais aguda porque, além de tornar as crises mais banais – ao dar voz a milhões de pessoas, 24 horas por dia, sete dias por semana –, as novas tecnologias também imprimiram uma nova velocidade para as crises.

Até algum tempo atrás, as crises eram mais lentas e sua propagação dependia da mídia tradicional – TVs, rádios, jornais e revistas. Quando esses veículos deixavam de noticiar, ou então, diminuíam o espaço dado ao caso, as crises arrefeciam, até desaparecer por completo das manchetes.

Isso mudou completamente a partir no final da primeira década dos anos 2000 e o escândalo Bill Clinton/Monica Lewinski pode ser configurado como a primeira grande crise de imagem do mundo digital. Ainda antes do boom das redes sociais, o escândalo Clinton/Monica Lewinski foi disseminado rapidamente e alimentado por revelações, detalhes e fofocas, tudo online.

Hoje seria bem pior, porque agora, a crise é instantânea. O fato acontece e depois de alguns minutos já está nas redes sociais e apps de mensagens – onde se proliferam haters, comentaristas de tudo, especialistas universais, profetas do fim do mundo etc. E nas redes sociais e plataformas de mensagens as crises ganham vida própria, são impulsionadas, alimentadas, agravadas.

O resultado é que, nos tempos atuais, o caminho de uma crise – assim como o de muitas notícias – é exatamente inverso ao do passado: são as redes sociais que pautam a imprensa tradicional e não a imprensa tradicional que pauta as redes sociais. Basta observar a cena política brasileira para perceber isso, por sinal.

Por outro lado, as novas tecnologias também tornaram a vida útil de uma crise menor. Assim, muitas Crises de Imagem surgem e desaparecem em horas ou dias. Isso ocorre porque, em muitos casos, elas são artificialmente infladas ou substituídas por novas e diferentes crises.

Aliada à sua velocidade de propagação, as Crises de Imagem atuais foram banalizadas e podem afetar qualquer um, cidadãos comuns ou instituições, a partir de qualquer deslize, insatisfação, mal entendido, desencontro, ilegalidade ou denúncia – seja verdadeira ou falsa – que ganha as redes sociais e se propaga como rastilho de pólvora, afetando reputações e deixando o que chamamos de ‘cicatrizes virtuais’, isto é, registros negativos que podem reaparecer a partir de uma simples pesquisa em um ‘buscador’ como o Google, por exemplo.

Sua empresa está preparada para enfrentar esse novo cenário?